Se em algum dia desta vida
Um amigo a faca ao mundo enfiar
Caberá a mim, juiz de meu próprio juízo
Nele não mais ou ainda confiar
E a opinião dos deuses é irrelevante
Um mero crepúsculo sem sentido
O juízo será meu, bem importante
Saber que fim dar a meu amigo.
Se em algum momento o coração apertar
E como sempre vingar sobre a razão
Todo o mal e o sangue da faca vil
Se espalharão em função da fraqueza!
E com todos agindo desta forma
O mundo só tende a perecer
Perdoar é o primeiro passo do fim
O último termina com esquecer!
Ser frio é apenas um dos pontos de vista
Eu chamaria de ser realista
Se o perdão eu dar a quem não merece
Por meio de lágrimas ou de prece
O erro pode ser cometido
Na esperança de um perdão gerúndio
E o mal se alastra em pequenas sementes
Em pequenos perdões ele se procria.
Se o filho divino outrora perdoou
Ai está a máxima prova do que defendo
O perdão dá a idéia de que o erro
Será esquecido para ser feito de novo
E o mal vem, então, parasitando
Na bondade como um verme
Que fica alegre em cada ato bom
Que na verdade é uma mascara corrupta.
Estão no homem e o homem está
A justiça abstraída causa uma dicotomia
O bem por um ponto de vista, o mal como agonia
Que é o preço a se pagar, pelo cruel ato de perdoar.
Se um amigo com uma faca sangra o mundo
Para o bem dele e de todo o resto
O mais lógico a se fazer, em todo o caso
É aplicá-lo as leis destes fúnebres deuses.
M. Augusto Canto
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