domingo, 5 de junho de 2011

Devagações

Devagações

Sofro da dor de ter que ver
E sofreria mais se as compreendesse
Mas quero compreender
Tudo aquilo que não existe.

Eu quero é desprezar as extremidades
E ver somente o meio, o caminho
Que se faça de mim poesia!
Já que minha voz se perdeu
Na surdez do mundo.

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Olhes o pobre cão morto!
Sentes o cheiro de tua vergonha?
Enquanto o bicho agonizou de dor
Tu choravas e morria de amor.

E passos e pés em cima dele
O sangue espalhado ao esquecimento
Quem morrera? Um cão? Têm muitos por ai
Vai! continuas andando sem olhar para trás.

Não pares e penses a vida.
Um dia terminas como o cão
Morto, esquecido, sofrido e parado
Um mero corpo neste enorme chão.


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Minha voz fala com os olhos
Enquanto enxergo com meus ouvidos
E ouço com meu tato
Que sente com minha boca
Ah! A vida é tão pouca
Que sempre faço confusão
Nestes sentidos
Sou como um estrangeiro
Perdido em sua própria língua
Que não sabe se escuta o que vê
Ou se vê o que escuta.

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