segunda-feira, 16 de maio de 2011

Outra tradução

Tenho pena de Robert Frost. É alvo de meus delirios...


A time to talk ( Robert Frost)

When a friend calls to me from the road
And slows his horse to a meaning walk,
I don't stand still and look around
On all the hills I haven't hoed,
And shout from where I am, What is it?
No, not as there is a time to talk.
I thrust my hoe in the mellow ground,
Blade-end up and five feet tall,
And plod: I go up to the stone wall
For a friendly visit.

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Tempo para conversar ( Traduzido por Marcus Freitas)

Quando um amigo me grita na estrada
E diminui os passos de seu cavalo para uma boa conversa,
Não paro e fico pensando
Em todo esse campo que não capinei;
Grito, então, de onde estou: O que é isso?
Como se eu não tivesse tempo para conversar!
Ponho minha enxada no velho solo,
A ponta bem funda, um metro e meio abaixo da terra
E com passos duros vou até a parede de pedra
Para uma visita amigável.

Minha primeira tradução de um poema.

Agora postarei em meu blog também traduções. Faço isso porque sou um profundo admirador destes gênios chamados tradutores. ( Uma dificuldade sem limites manter a sonoridade...)

Aqui vai o original:

Fire and Ice ( Robert Frost)

Some say the world will end in fire,
Some in ice.
From what i've tasted of desire
I hold with those who favor fire.
But if it had to perish twice,
I think i know enough of hate
To say that to destruction ice
Is also great
And would suffice.

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(Não finalizado ainda, necessita de críticas.)

Fogo e Gelo (Tradução por Marcus Freitas)

Dizem por aí que o mundo acabará em fogo,
Dizem também em gelo.
Do que provei do desejo, sem rogo
Fico com aqueles a favor do fogo.
Mas se duas vezes houver tal desespero,
Acho que do ódio sou bem próximo
Para dizer que à destruição o gelo
É também ótimo,
Suficiente para o pesadelo.

domingo, 15 de maio de 2011

Uma nova tinta para um novo (re)começo.

Uma explosão de mudanças ocorreu nesse que vos escreve. Sabe, um raio de sensatez me levou a crer que mudanças são necessárias e são algo que não há como não haver. Este blog, tão morto quanto as palavras de quem escreve, merece vida. Merece, pois há algo tão belo nele que não ser vida é uma ofensa. Não! Não estou elogiando tudo que até agora escrevi! Elogio a arte que utilizo: as palavras. É que todas as palavras merecem e devem ser tão ou mais vivas que eu, você e todo o resto.

Como meio para todo esse fingere que aparecerá aqui, usarei e abusarei de tudo que já fora criado por mim, por você, pelo mundo. Então, tomarei para mim o titulo de grande copiador das coisas. Conjugarei o verbo: Ego fingo. Vou admitir que a critividade não está somente na criação de algo que até o momento nunca existiu, mas também está na própria raiz do verbo fingere: imaginação, criação, produção, figuração. Indo mais a fundo, modelarei a barro tal como o Criador fez a Adão. Em outras palavras criarei do que já existe. Uma cópia mal feita do feito!

E para caminhar junto a toda essa mudança, faço um esforço para que o design deste blog mude para melhor. Mas já agora peço perdão pela ausência de estética neste.

domingo, 8 de maio de 2011

As lágrimas do poeta.

As lágrimas do poeta.

O ar é fresco. Um frescor de hortelã, eu diria. Em minha cabeça roda um mundo. Palavras que fortemente transitam entre uma linha de pensamento e outra. É um misto de gozo e agonia. De súbito uma felicidade que se alastra por todas as veias de meu corpo. A poesia fluindo em metáforas da realidade. Ao mesmo instante, um calafrio. Meus músculos tremendo por haver tanta confusão em uma única cabeça. A minha.

Com tanta informação, com tanta ânsia de criação, falta-me o que dizer. Qual será meu primeiro verso?

Nas raízes do mundo ligadas a minha

Mas que frase. O sentindo que reservei-lhe perdeu-se antes da metaforização da coisa. Sou seguido então de um desgosto pela poesia. O mundo é enormemente gigante. Para que perder tempo na poesia? Mesmo assim, minhas veias tremem quase lançando-se a uma explosão. Mais um verso é cuspido.

Um falta tremenda me aflige.

Eu não pensei nisso. Tenho certeza. Toda a certeza. Paro para dar uma espiada a janela. Os sons produzidos por vida se misturam. Só vejo a poesia nessa mistura melódica de sons sem melodias. Uma falta tremenda me aflige. Que falta é essa? Em primeira instancia acho tal falta é uma falta de respostas. O ar ainda é fresco. Os sons ainda são tocados por essa orquestra chamada vida. A buzina do carro em um congestionamento quase me narra mais outro verso.

O mundo implode a cada instante

Às vezes me esqueço que não sou só poesia. A fome ataca. Caminho em passos gigantes até a geladeira. Minha visão é turva, pois se preocupa apenas com as figuradas figuras da poesia em minha mente. Quase não enxergo o que é tão visível em meu caminho.

Esbarro em uma cadeira que tenho certeza que nunca esteve ali. A solidão do apartamento é abafada pela dor que a cadeira me trouxe. Esqueço da fome por alguns instantes. A agonia de sofrer a dor agora é parte da poesia. A fome é totalmente esquecida. Em pé, sem rumo, no centro de minha casa, penso em cada instante. A brisa da janela começa a me incomodar.

O ínfimo quase sempre se faz um todo.

Com quatro versos normalmente tenho já um poema. Sem sentido humano algum. Estando além dos sentidos reais. Organizo-os para analisá-los.

Uma ave morreu. É, ela morreu hoje. Quase agora. Uma pedra a atingiu ferozmente enquanto ela dançava seu vôo. No momento que suas asas deslizavam sobre o vento, que por sinal era frio, uma pedra tal como uma flecha, perfurou a obra prima da ave. Ela foi caindo e mesmo já morta ainda realizava sua dança.

A morte da ave lembrou-me o poema que aflito tento terminar. Mas a poesia de minha veia sumiu. Ouço apenas as buzinas de carros irritados e ferozes. Vejo o sangue da ave no chão. A fome volta. A dor não mais é bem sofrida. O todo daquele lindo instante fez-se agora passado como tudo. Chorei palavras. Um dilúvio de palavras era posto para fora de mim.

Agora me derrota um mal profundo

As lágrimas também são poesias

O poeta chora a morte da ilusão

O mundo o nascimento do poeta.

O telefone toca e vem a mim um convite a mais lagrimas. Um ser gritando que o poeta não é nada. E ainda afirma que a poesia atrasa o homem. E o bom perde-se nas mãos do artista. Ao passo que em todos os instantes vem-se mais vozes expondo a falta de utilidade do poeta. E me ajoelho diante espelho clamando por respostas. Triste é o poeta que sequer é reconhecido. Triste de mim que sou poeta. Triste da poesia que não enobrece o homem contemporâneo.

Que Deus dê-me a resposta

Porque sou poeta e não normal?

Dedico meu tempo ao inútil

Não faço bem nem faço mal

Garimpo o ouro de terras inexistentes

Grito o socorro dos não nascidos

Curo a dor de meu egoísmo

Porque sou poeta e não normal?

A noite agora é dona deste momento do tempo. E o poeta aqui ainda chora por dores que jamais sanarão as do mundo. Já me alimentei há horas e ainda sinto fome. Uma fome inenarrável que me faz querer deitar. O telefone está desligado. Não suporto o juízo do homem a meu oficio. Tenho fome de palavras. Estou com cada espaço de meu ser entupido de palavras e mesmo assim há um buraco negro que precisa ser preenchido com mais. Volto ao instante que comecei a narrar meu ser. O ar fresco. O misto de gozo e agonia. A dor sofrida de dores abstratas.

O sono trava uma batalha épica em meu ser. As forças já não são muitas, pois muito sofro por ser poeta. Sofro por saber que nunca alcançarei a utópica perfeição que tanto almejo. Sofro por poeta em um mundo onde a arte é um mero quadro ilustrador do passado muito passado. Sofro até quando estou alegre. E com todo este sofrer, escorro com uma lagrima um verso. Um último verso deste instante.

As folhas batem ao som do vento

Meio dia

O mundo se fecha

As almas vagam

O saber santificado se esquece

Mais meio dia

Um conceito errôneo do errado

Mata nasce morre cria

Almas sem rumos

Nuas

De suas almas

Um dia

É o mesmo

Poesia é alma

Alma é poeta

Poeta não é

Parte-Fim.

Fecho a janela, pois está frio.