terça-feira, 19 de outubro de 2010

A ida ao belo prédio.

Dizem que tudo um dia há de cair, desabar e ir ao chão. E que a dor, nesse caso, seria inerente a quem está debaixo dos escombros. Lá, no chão, tremendo seus ultimos suspiros, repousa o ser vivente, aguardando que o seu pulsar desacelere vagarosamente enquanto ele tenta rever sua vida. A única esperança dele agora, não é que ser salvo, é poder ter a certeza que viveu plenamente como queria. Há quem diga mais, que quando estamos a ponto da morte, a mentira não engana mais a nós mesmos, e que o único tranquilizante é saber que vivemos bem.

Com dezenas de moscas banhando em seu sangue, ele agoniza na dor, mas não só nela. Ele pensa que a farsa o levou ali, à aquele estado de vergonha e humilhação, deitado, sendo visto e comentando por todos. O mundo finalmente o assistia, mas só assistia e nada mais. Com a cólera de saber naquele momento, e só naquele momento, todas suas limitações, ele está hipnotizado com o momento. Afoito em descobrir todos os mistérios que ainda restavam naquele pingo, quase nada de vida, ele pôs-se a meditar...


" Minha liberdade se foi, junto com isso que tenho como vida. Minha honra, devo rir. Pois eu nunca fui tão honrado como agora. A morte, que não escapa a nenhum dos que foram fadados com a vida, me presenteia com sua tão mal esperada presença. Oh, eu deveria penar com minha situação? Se eu agora, for me preocupar com pena, não terei gozo desses prazeres que, excluindo a dor e a vergonha, me fazem querer viver novamente só para experimentar tal situação."

Meditações estas bem estranhas a quem, como ele, nunca deu valor a nada. Ele nunca teve algo, mas isso não impede que ele se apegue a valores tão normalizados ao mundo que ele vive. A cada segundo que passa, a dor, aumenta. O sangue passa a sair, e a torneira de sua vida, cada vez mais aberta, continua a expelir esse sangue de seu corpo. Sua carne, de tão fria, não sente mais a dor que ele deveria estar sentindo nessa hora. Um presente dado a ele em seus ultimos momentos, essa ausência de dor, o tranquilizava...

"Enquanto eu estava mais vivo, não passou um dia em que eu dormisse sem ter a dor em mim. Hoje, depois de estar caído no mais quente asfalfo, afirmo com todo o resto de vida que há em mim, que nunca me senti tão bem. O tempo? Esse não mais existe a mim, estou aqui consciente a tanto tempo - ou a pouco, não importa- que minhas lembranças estão se apagando, e nem mais da dor eu lembro. Esqueci o que é a dor, esqueci de tudo. Estou ansioso para logo deixar esse ponto que me encontro, e partir, rapidamente, para o mundo, que hoje sei, melhor que este."

O amargor de saber que está tão perto do fim desejado, faz com que ele entre em um estado de transe. Aonde para reconforta-se, cria um universo paralelo e imáginario, que mantém todos seus mais profundos desejos de paz. Tudo que é prejudicial para ele, torna-se esquecido. Sua mente, sua alma, seu coração, sua essência ou seja lá o que for, dão a ele, com tamanha compaixão, o último suspiro de felicidade. O mundo, as coisas materiais e tudo o mais que nunca foram essenciais ao homem, hoje, para ele, tornam-se novamente essenciais. Arrisco dizer que ele torna-se um homem puro, com a única ambição de seguir em frente.

"Acho que... espere ! Aquela luz... impressão minha? Devo estar perto, tão perto de largar esse peso que outrora senti. Mas bem, agora veio como uma pequena brisa, a saudade do que nunca fiz. Mas que egoismo meu, estou tão perto de ir para lá. Não devo ceder a meus caprichos humanos... mas hora, sou humano! E graças a essa minha humanidade, fui agraciado a entrar em tal estado que invejaria até os anjos. Estou sangrando, mas quem liga? A única coisa que me deixaria aflito por estar banhando em sangue assim, seria sentir a dor que tanto senti em minha vida."

"Agora veio uma dúvida, que surgiu enquanto vejo - só quando quero- pessoas aflitas e outras trabalhando e suando para salvar minha vida. Elas, estão vivendo e gastando o tempo de suas vidas comigo, que já aceitei não continuar mais aqui, nesse mundo aonde a dor é presente. Até ouso dizer que estão fazendo algo por mim que nunca fora feito antes. Estão me amando..."

Pensar, melhor, saber que nunca fora amado destrui esse império que ele havia construido. Foi somente necessário uma única palavra para que sua paz, sua calma que cobria seus sentidos, rapidamente desaparecesse e fossem todos tomados pela pena. Pena esta que ele passou a sentir de si mesmo, e desejar como nunca havia desejado algo, que tivesse a oportunidade de ser amado.

" Estou enganando a mim mesmo com esses sentimentos mesquinhos e sem dignidade. Estou indo para tudo que sempre desejei, o mundo que desconheço e que me desconhece e por isso não haverá conflitos. Enquanto mais vivo, nunca fui amado, e hoje no dia de minha morte...[ pausa] tais pessoas ousam querer me impregnar com esse sentimento tão futil. Saiam! Saiam daqui seus infelizes!!! Não venham querer estragar o único dia feliz de minha vida. Eu estou indo para onde quero. Não quero que suas ferramenetas mal lapidadas venham me tirar de meu sossego! Saiam, saiam, saiam..."

Confuso, começou a em seu interior a ira que levou a ele insultar as pessoas que desejavam lhe salvar a vida. No fundo ele queria mesmo continuar vivo, e aproveitar algo que nunca foi lhe dado a opção. Mas ele, não queria atribuir a si mesmo a culpa de naquele momento não lhe ser agradavel a morte. Então, como último desespero, tornou-se a gritar, mas um grito que ecoava do mais fundo de sua vontande. ele gritava por vida, na esperança que alguém ouvisse seus barulhos vitais.

Então, de repente, um dos paramédicos que estavam auxiliando ele, ouviu sinal de vida. Uma emoção a todos que estavam ali presentes. Palmas e graças eram dadas a esse homem, que há algumas horas atrás havia sido jogado por sua amante do quinto andar do prédio Ivo de Menezes.... O homem, que nunca havia gozado da vida, teve uma nova oportunidade.

A ambulância, que estava carregando o homem, quando foi fazer uma curva, capotou e bateu em um caminhão. Excluindo o motorista, não houve vivos.


E a chance recebida, foi lhe útil por seus instantes.



M. A. Lacerda ou Caetano de Freitas.

domingo, 10 de outubro de 2010

Sonhos no Carrasco

O caminho não era de flores selvagens
Nem de aroma perfumado desse campo ilustre
Que sentes, e vê
A roupa era de fragância "quero mais"
Combinando com a perfeição de nascer
O sorriso era estampado na vida
Tão belo era o ato de ser
Formosidade entre as meias linhas
Fazendo de você necessidade minha

Nos shows de todas as cidades
Não havia se quer o seu nome
Procurei eu por outras cidades

Nevava quando eu sua presença sentia
Coisa de agente apaixonada
Talvez apenas simpatia
Que as divindidades por minha pessoa 
Colecionavam
Olhos tão brilhantes quanto meu braço
Sua presença é essencial a mim
Tanto quanto meu baço
Nem tanto quanto meu rim
Mas o fio que liga nossos corações
Feito por uma singela aranha
Nada mais faz que na voz de minha garganta
                  Arranha.
E meu grito ecoa por todo o mundo

Nos shows que agora ficam na cidade
Há seu nome colado, pintado e rasgado
Vandalizaram minha nobre cidade

Sua boca quando junto a minha
Só em sonho.
Mas felicidade que não se esvazia
Devaneio esse que me deixa risonho
É o som das máquinas ao fundo
Indicando homens trabalhando duro
Eu aqui, sem produzir, me sentindo um
Vagabundo.
Suas viceras tão lindas e formosas
Com sua saliva dengosa
Fazem eu esquecer toda utilidade presente
Fazendo-me um ser humano vivente
E como penso nas improbabilidades existentes
Se é viver para amar ou amar para viver.

Carta de um desesperado ou sorte na felicidade

Hei de tentar falar agora, desespero total. Vulgaridade lucida minha, pois ora, devo mesmo fazer tanta pressão? A liberdade é caracteristica essencial de todo nós, então, livre é ela para saber, se quer a você, Marcus, ou não. Pois aqui estou como a manifestação da decadência, Ernest.


Sentir a ti, mesmo que de longe
Ou por vibrações tão distantes
-Telefone-
Ou ir mais ainda, e apenas ler
Tudo que se expresa e me dizem as letras
Sobre ti
Tudo isso é satisfatório
Quando estou nesse mundo ilusório
De amar, de amar você

Sei que praguejo que amar é sofrer
Mas hei de confessar que só de pensar 
Que você existe, raia um sorriso imenso e sincero
É drama
E essa alegria trasncede a tristeza
E persiste

Isso que sinto não exige ter
Exige ficar perto e sentir
E aproveitar
Porque isso se chama amar
Não!
Vai além, por que causa dor
E causa prazer
Não é material
Nem espiritual
É algo do Ser

A noite e o dia não são nada
Tornei-me atemporal
Estou além dos limites
Fico fora do bem e do mal
Agora, quando penso em letras para escrever
É em você que penso quando penso nas vinte e seis
Sacudo o cerebro para arejar
Mas o seu vento é denso
Efêmero. É isso que chamam o que sinto
É o corrego de minha razão se esvaindo
São meus musculos queimando com o fogo
E todo meu resto, que resta, amargando
Em uma infatilidade bruta, que dói, e ri
E sorri, porque lembro de seu nome
Que não passam de reles palavras
Que a mim, hoje e sempre, tem um total
Magnifico siginificado: Me remetem a você

E quando durmo, aflito, penso
Esvazio a mente do que posso
E fico. Fechar os olhos, os olhos avisam
Que ainda amo, e amo
Rogo, rezo, mato e dou vida
O impossivel é somente te ter
O resto se torna vulgar, ordinário
Diante da minha vontade, que passa
Que passa os limites sofridos a mim
E vira alegria, como já disse.
Porque se visses meu sentimento
Veria que sou um vulcão
Pronto para explodir
E chorar e sorrir.

Falei muito de mim
De ti, princesa, rainha, abelha
Não há que falar
Perdoe-me por viajar nos clichês
Mas não encontro palavras
Para lhe elogiar
Não palavras que ultrapassem a ordinariedade
E supram a necessidade
De serem tão grandiosas, como é
Como a enxergo
Pois a de convir que tudo
Tudo que se refere a você
No minimo deve ser de mesmo nível
Por isso e muito mais, não  vejo
Nem procuro
Algum adjetivo, que a sua pessoa
Seja de todo plausivel

E finalmente, antes que lhe canse
- Isso se você ler-
Deixe-me resumir
E que resumo!
Porque a colera de amar 
Vem esguiando-se
Como a serpente
E agora derrepente
Não tomo rumo
Sento e vejo tudo passar
Quase tudo, porque tudo que sinto
E vejo, e vivo
Continuam lá.

Por mim, milagroso fim, enfim.
Ainda que eu continue nesse Epopéia
Nessa Iliada, nessa Odisséia
E sofra a ira de deuses, demonios e gênios
Nada mudará para mais ou para menos
O fato de que apesar de ter um pouco de mim amputado a cada dia
Sou feliz, mesmo chorando, amando você
Isso me dá muita, muita alegria.